Augustas Energias Utópicas

Existe uma Cultura Digital Brasileira?

02/17/2009 · 1 Comentário

Vivemos o elogio a Cyber Cultura.

Compartilhamos intimidades, opniões, preconceitos e principalmente fronteiras. Limites que evoluem e retrocedem na mesma velocidade que são acessados. Muitos acreditam numa Cyber Cultura anárquica, outros comunista, muitos outros nada mais que a reprodução digital das mazelas do ‘Mundo Real’. Mas sem dúvidas todas as possibilidades fluem na direção de uma Cultura esponjosa, sem alfândegas.

Neste sentido por que questionar se existe uma Cultura Digital Brasileira? Não seria isso mais um daqueles ataques nacionalistas, que pretendem condicionar um movimento tão diverso a fórmulas comuns do Século XX?

Para mim a razão exata para que esta pergunta se faça ainda não está clara, mas ela pertuba todos aqueles que com um pouco de atenção percebem a voracidade com que os Brasileiros se utilizam da internet. Estatísticas, dados e etc apenas acusam este uso, porém não explicam nada. Por que o Orkut se transformou em “RG Digital” do brasileiro? Não há adolescente que não tenha, ou queira ter um perfil nesta rede. O que dizer então do Twiter? Havia aqueles que não esperavam mais do que um novo site de fofocas e declarações pessoais.

Então? O que nos difere do resto do mundo?

Será que as nossas fronteiras nacionais são compatíveis com os nossos limites cyber culturais?

Por Tiago Gualberto

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Uma leitura (aquariana) da Crise

02/16/2009 · Deixe um comentário

“Roma, Itália (CNN) – Após 2 dias de encontros  em Roma, os países mais ricos do mundo, através de seus ministros financeiros, se comprometeram a “todas as ações que se fizerem necessárias” para restaurar a confiança no sistema financeiro global.” ( Veja o artigo na integra)

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Os ministros financeiros dos países mais ricos são o problema e não a solução.

O que colapsou com a crise financeira global é a idéia que a economia (os mercados) “são” os países.

Felicidade/Paz (não dinheiro/guerra) deve ser a atividade fim dos governos do século 21 / Era de Aquário

Precisamos de um Órgão Transnacional de Governança. (Não deveria ser esta a ação ideal necessária para restaurar nos a confiança no alvorecer do século21 / Era de Aquário?)


Como disse Shakespeare (e o que ele não disse?) a questão é Ser ou Não Ser.

Por Claudio Prado

English version:


ROME, Italy (CNN) — The world’s richest countries committed to “any further action that may prove necessary” to restore confidence in the global financial system, their finance ministers said as they wrapped up a two-day meeting in Rome. (Article)


The finance ministers of the world’s richest countries are the problem and not the solution.

What has collapsed with this global financial crisis is the idea that the economy (the markets) “are” the countries.

Happiness/Peace (not money/war) must be the governmental goals of the 21st century / Aquarius Age.

We need a Transnational Governance Instance. (Shouldn’t that be the ideal “any further action that may prove necessary” in the dawn of the 21st century / Aquarius Age?)


As Shakespeare said (and what hasn’t him?) the question is: To Be or Not to Be.


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Teatro Para Alguém

02/09/2009 · Deixe um comentário

Ensaio da peça "O Arthur", de Antonio Prata

Ensaio da peça "O Arthur", de Antonio Prata

Detonar a distância, dissipar a fila, reconduzir relações artísticas para o a-lugar onipresente do digital, propor novas funções sociais para o pensar cultural, talvez a própria vivência, desencarregada de fetiches nominalistas – essência, espiral, pós-simbolismo, the dawning f the age of aquarius, orfanato do tipo blasé das metrópoles.

A fricção criativa entre profissionais de teatro e cinema dá vida ao Teatro Para Alguém (www.teatroparaalguem.com.br), uma investida digital contra as barreiras que separam público e artista no palco italiano: uma idéia na cabeça; outras do público, chegando por chat e e-mail; uma câmera criativa na mão, que dispensa edição; e a encenação está plugada diretamente no streaming. Para parar com o blábláblá e conferir a produção do grupo de uma vez, vá para a casa do Teatro Para Alguém clicando aqui. Cole no porão e confira o que rolou até agora na série Corpo Estranho, escrita por Lourenço Mutarelli – sim, o doido de O Cheiro do Ralo. Para conferir a próxima edição da série on-the-go, compareça à Grande Sala às 22h das quartas.  “Não sabemos o que estamos criando, nem queremos um nome para isso. O artista sente uma necessidade de produzir, e por isso o faz, só isso. Não entende e nem quer entender ou nomear o que cria”, relata Nelson Kao.

Por marconalesso

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Casa de Cultura Digital

02/05/2009 · 2 Comentários

Casa de Cultura Digital

Nesta terça-feira gravamos um trecho da conversa entre Claudio Prado e Rodrigo Savazoni. Falavam da Casa de Cultura Digital, um projeto em andamento que terá como sede uma grande casa próximo a Rua Augusta.
Ouça aqui o trecho.

Por Tiago Gualberto

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Coletividade

01/30/2009 · 1 Comentário

(…) Foi assim que, no final de mais um expediente, sentamos no Folhão (o boteco em frente à Folha de S. Paulo) e, em meio a garrafas de cerveja, generosas doses de cachaça e guardanapos rabiscados, uma nova idéia nascia: a Garapa, um site de jornalismo independente que se comprometesse exclusivamente com um objetivo – contar histórias. (…)

Garapa.org

Por Tiago Gualberto

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O que falta para uma Lan House ser um ponto de cultura?

01/28/2009 · Deixe um comentário

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Durante o Campus Party 2009 ocorreu mais um “GT’ dos Pontos de Cultura. Além de representantes de vários pontos a roda contava com a presença do ex-ministro da cultura Gilberto Gil e de Alfredo Manevy, secretário executivo do Minc, de férias diga-se de passagem. Alfredo, neste belo trecho, posiciona-se frente a duas grandes questões: A TV digital como uma oportunidade de incorporação de fluxos, redes e conteúdos que tem nos pontos de cultura, institucionais ou não, um terreno fértil. E a segunda questão, intimamente relacionada com a primeira, é a incorporação das Lan Houses como pontos de cultura. De acordo com Manevy, as lan houses são iniciativas da sociedade que buscam levar acesso a lugares onde a ação do Estado e do mercado ainda não atingiu, e por isso merecem respeito e apoio para que tenham força e se transformarem efetivamente em pontos de cultura.

Ouça aqui a fala de Alfredo Manevy.

Por Tiago Gualberto

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Bandalargar a Rua Augusta

01/26/2009 · Deixe um comentário

Proponho, neste ponto de encontro, que iniciemos uma campanha para bandalargar todo o corredor cultural da Rua Augusta, desde a Paulista, passando pela Praça Roosevelt. Nesse trecho da cidade, frequentadores e moradores passariam a ter acesso à internet de altíssima velocidade.

Rua Augusta, São Paulo

Isso pode ser feito de várias maneiras. Por meio da ação do poder público, da iniciativa privada, da sociedade civil organizada, ou da associação entre todos esses entes componentes da vida pública. Uma aliança que permita garantir conectividade na rua que é o futuro criativo de São Paulo.

Recentemente, a Nokia realizou uma promoção cujo desfecho será oferecer internet sem fio grátis a todos os usuários da Cidade Universitária. Nos 455 anos da cidade, a empresa propôs dar um presente à cidade. São várias as concorrentes da Nokia. Nenhuma se habilita?

As cidades digitais nunca estiveram tão em debate desde a campanha de Marta Suplicy, quando uma excelente idéia (conectar São Paulo) esbarrou nos limites do marketing político – transformaram a idéia de oferecer conexão de internet a todos os cidadãos em um Fura Fila digital.

Isso não exclui o fato de que São Paulo é o laboratório ideal da cultura digital, conforme ficou claro no debate SP Digital, que promovemos durante a campanha eleitoral com vistas a propor a criação de um plano diretor digital para a cidade.

Por Rodrigo Savazoni

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Assista ao debate sobre Cyber Cultura

01/26/2009 · Deixe um comentário

debate iptv cyber culturaDebate realizado no dia 24, ao clima de ar condicionado, durante o Campus Party 2009. Com a presença de Lalai Santos,Ronaldo Lemos, Sergio Pinto e Claudio Prado como provocador. Neste encontro temas como o direito autoral, liberdade criativa e cyber cultura foram abordados com humor e simpatia. Os vídeos foram realizados pela IPTV Cultura.

Atualizando o Post, publico aqui as partes que faltavam: parte 1, parte 2 e parte 3

Por Tiago Gualberto

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Rua da utopia

01/26/2009 · 1 Comentário


Na paisagem dominada pelos mendigos, prostitutas e deserdados, juntaram-se as mais variadas tribos urbanas


GILBERTO GIL participou em São Paulo, na quarta-feira passada, de um almoço para criar um espaço de experimentações em um estacionamento na região mais deteriorada da rua Augusta -ali se apresentariam gratuitamente músicos, poetas, artistas plásticos, designers de moda e atores dispostos a fazer inovações, tirando proveito das mídias digitais. O encontro teve um sabor de futuro combinado ao de nostalgia.
A experiência está sendo tocada por Cláudio Prado, guia dos então exilados Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros baianos, pelo mundo underground londrino. No final dos anos 1960, Cláudio saiu do Brasil para estudar pedagogia na Suíça, mas preferiu ser hippie em Londres e aprendeu os caminhos dos melhores endereços das trilhas do rock. O aprendizado fez dele, no Brasil, produtor de shows e de bandas como os Mutantes, a Cor do Som e os Novos Baianos.
Seduzido pela internet, atuou como um conselheiro em mídias digitais do ministro Gilberto Gil, que agora é chamado ao projeto na rua Augusta, até pouco tempo atrás dominada, na noite, por travestis, prostitutas e os mais variados tipos de marginais. Num casarão antigo, vizinho ao estacionamento, pretende-se montar um laboratório voltado ao desenvolvimento de projetos de internet. “Queremos liberar as energias utópicas da pauliceia desvairada”, propõe Cláudio, descendente de uma das mais tradicionais famílias paulistanas.
Não dá para saber ainda o que vai sair dessa busca das energias utópicas. Mas posso dizer que esse tipo de movimentação mostra que, ao comemorar hoje 455 anos, São Paulo tem naquele trecho da Augusta, uma rua 24 horas, sua melhor síntese.

As antenas de Cláudio localizaram ali a melhor amostra da diversidade paulistana, o que vem ocorrendo nos últimos cinco anos -aliás, não conheço nenhum lugar do mundo com tantas tribos diferentes em tão pouco espaço.
Na paisagem dominada pelos mendigos, prostitutas e deserdados, juntaram-se jovens da classe média e alta atraídos pela baladas; apreciadores de novos grupos da música brasileira (Studio SP); as mais diferentes modalidades de gays e lésbicas, com bares para diferentes idades e faixas de renda; a rua reserva espaços para os emos e diversos tipos de punks (há uma tribo de punks que prega a paz e a alimentação vegetariana). Os cinéfilos já estavam lá há mais tempo por causa do Espaço Unibanco, depois apareceram bares que atraíram intelectuais e jornalistas.
Logo no começo da rua está um símbolo do paladar da família paulistana (a Famiglia Mancini), com sua fila de netos acompanhados de avós.
A poucos metros dali, concentraram-se grupos de teatro alternativo em torno da praça Roosevelt; o prefeito Gilberto Kassab me assegurou, na semana passada, que no próximo mês começa a concorrência para a reforma da praça, que teria uma vocação para as artes cênicas; José Serra se comprometeu a inaugurar uma escola voltada à formação de mão-de-obra qualificada para montar peças.
Para completar a biodiversidade, estima-se que a nova praça será inaugurada com a sala do Cultura Artística -espaço que foi destruído por um incêndio. Uma das cenas exóticas da paisagem paulista era a mistura dos públicos na saída do Cultura Artística, com homens e mulheres de roupas sóbrias entre os frequentadores de um inferninho chamado Quilt -o que, em inglês, significa colcha de retalho.

A utopia urbana não está só na diversidade, mas no fato de que o melhor futuro de São Paulo é a economia criativa, que vai da moda, passando pelas artes, até programas de computador.
Na mesma semana em que Gilberto Gil discutia como fazer de um estacionamento um centro de inovações, víamos os desfiles da São Paulo Fashion Week, juntando as mais diferentes inteligências estéticas -essa inteligência produz não apenas modelos de roupas, mas idosas na passarela ou um desfile movido pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Ao mesmo tempo, milhares de jovens mostravam suas invenções no Campus Party, a maior feira brasileira das tribos digitais.
No Campus Party, lançou-se, por exemplo, o projeto, idealizado pela TV Cultura, de colocar nos computadores das LAN houses um recurso para que os jovens, enquanto jogam, possam ter acesso a ofertas de educação e cultura bancados por governos, empresários -a ideia é disseminar por todo o país esse mecanismo, envolvendo entidades como Sebrae, Sesc, Sesi, além das secretarias e dos ministérios da Cultura, Educação e Trabalho.

Nessa comemoração dos 455 anos, dá para dizer que, em meio ao nosso caos, há cada vez mais efervescência e criatividade -e, por isso, está ali naqueles projetos de energias criativas da rua Augusta, onde até pouco tempo parecia não ter nenhuma perspectiva, a síntese de um futuro de cidade.

PS – Para tentar captar esse clima, sugeri a um grupo de fotógrafos que documentassem 24 horas daquele trecho da Augusta. Coloquei uma seleção das fotos no www.dimenstein.com.br.

Artigo publicado por Gilberto Dimenstein Folha de São Paulo, dia 25/01/2009

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O DESAFIO DAS LAN HOUSES

01/26/2009 · 1 Comentário

Do antro da perdição à cidadania digital, passando pelos delírios do consumo

O fenômeno das lan houses é potencialmente a quarta geração desta onda de Inclusão Digital, expressão aliás que já não faz sentido em 2009. Devemos falar em Cultura Digital.

Estamos na 3ª geração deste movimento. A 1ª onda foi “informática para os excluidos – senão você não vai ser ninguém na vida“. A 2ª onda foram os Telecentros da cidade de São Paulo, onde já não se falava de informática, mas sim de Internet com Banda Larga e Software Livre.

Os Telecentros abriram as portas do cyberespaço livre a milhares de pessoas das periferias… Cunharam uma geração de entusiasmo coletivo impressionante. Ali começou a ficar claro a vocação do brasileiro para a cultura colaborativa da Internet. Ali começou a ficar claro que em torno de um monte de computadores conectados, explodia um mundo de criatividade e as pessoas começavam a produzir e não somente a consumir. Nascia a 3a geração, a Cultura Digital, que deriva da compreensão de que para o uso pleno das possibilidades interativas da Internet, é necessário existir um espaço multimídia e não só computadores. Descobrimos que o cidadão conectado deve ser capaz de se expressar não só através de textos e hipertextos mas também através de imagem, audio (música, sons, textos orais) e vídeo. Hoje, a conexão deixou de ser o maior desafio para dar lugar à expressão digital multimídia como demanda intrínseca da cidadania do século 21. A Cultura Digital dos Pontos de Cultura trabalha nesta perspectiva, gerando autonomia tecnológica e capacitação em multimídia livre como elementos essenciais às transformações das realidades locais e da liberação das energias criativas de indivíduos e coletivos sociais.

Por mil razões, o Telecentro como tal não faz mais sentido. É nas lan houses que acontece a convivência e socialização digital da população brasileira.

Mas cabe aqui um alerta vermelho! Há três movimentos distintos em direção ao “futuro” das Lan Houses:

1- Um movimento reacionário que vê as lans como “antro da perdição” , numa confusão histórica de rejeição do novo.

2- O movimento de legalizar as lan houses para explorar o comércio da conexão.

3- O movimento que vê nas lan houses espaços potenciais de formação de cidadania cultural do século 21.

Estas três instâncias terão que ser levadas em consideração pelos órgãos regulatórios do governo, todas elas importantes para o bem e/ou para o mal.

O grupo 1 é um perigo. Reacionários de todas as estirpes que vêem na Internet a encarnação de todos os males. Clássica reação ao novo. O grupo 2 são os neo-empresários da conexão, potenciais criadores de franquias e impérios que lidam com o digital como se o século 21 fosse uma continuação do analógico século 20, sem se questionar, me parece, que estão em curso, no Brasil e no mundo, ínexoráveis políticas públicas de Banda Larga. E o grupo 3, no qual me incluo, enxerga um horizonte onde a Cultura Digital nas Lan Houses pode ser um atalho para criação de bolsões de alegria e de perspectivas de oxigênio glocal para todos. As Lan Houses Culturais podem vir a ser os campinhos de várzea da Cultura e assim sendo se tornar a quarta geração de uma cultura digital revolucionária.

E quem estiver interessado em avançar nisso, procure-nos.

Claudio Prado

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